Identidade pessoal é identidade comunitária

Aproxima-se o mês de outubro e sentimo-nos já a ser mobilizados e convidados por tantas coisas que não nos são estranhas. São os ritmos paroquiais e são os ritmos dos movimentos e dos grupos.

A catequese paroquial é, sem dúvida, o trabalho que mais nos desafia e convida; também será o que mais pessoas mobiliza eclesialmente e espiritualmente; e que tem mais universalidade. O programa que usamos liga-nos a Portugal inteiro; é exigente; está bem sufragado; mas não é um processo encerrado: nos anos anteriores consolidámos horários, locais, celebrações, cooperação das famílias, calendarização, trabalho de Secretariado, assiduidades, vida sacramental, piedade, solidariedade, liturgia… Paramos por aqui ou desafiamo-nos um pouco mais? Cada uma ou cada um que leia estas linhas não sente apelo à generosidade? Não quer juntar-se? Ou dar um pouco mais?

O Agrupamento de Escuteiros é também um local privilegiado de se ser e de se viver, de acordo com as opções de cada família ou de cada jovem. Centenas de paroquianos guardam grata memória do 877. Mas o presente é mais que a memória. É desafio. Renascer de cinzas: sim! Todos desejamos estar lá. Mas renascer a identidade, reforçar as cooperações (entre dirigentes, com pais, na paróquia, com A sociedade civil), adequar a vida pessoal ao ideal comum, aceitar as etapas e os ritmos como oportunidades, converter-se… Agenda-se também?

A Conferência de São Vicente de Paulo de Nossa Senhora do Desterro é também identidade paroquial. Estes últimos meses foram internamente muito intensos. Reconfigurou-se a equipa de animação e afinam-se as responsabilidades partilhadas e os trabalhos da identidade vicentina. Os meses que se seguem serão tranquilos na consolidação das opções de caminho claramente delineado.

O Apostolado da Oração é a maior família paroquial ligada a algum movimento. E participa numa estrutura nacional e internacional que os Jesuítas cuidadosamente acarinham desde sempre. A idade das instituições significa sabedoria. Mas também pode ser apelo aos regressos: redescoberta dos outros temas do ideal que estejam mais esquecidos. E a reestruturação cíclica e rotinada das tarefas de animação, a diversidade e novidade na estruturação formal, o convite… serão certamente temas a apreciar.

Legião de Maria, Liga Intensificadora da Ação Missionária, Movimento do Rosário, espiritualidade da Fundação Maria Mãe da Esperança, participação em Equipas de Nossa Senhora, voluntariado hospitalar, corresponsabilidades em trabalhos vicariais e diocesanos… são outros gestos e rostos da nossa identidade que são cuidados com tranquilidade.

No meu sentir a paróquia há mais temas, que refiro sem desenvolvimento; mas refiro como apelos: liturgia, pastoral familiar, visita aos doentes e eucaristia, gestão de conteúdos informativos, Liga Pedras Vivas, Centro Social (gestão de conflitos, administração, objetivos e dinamismos pedagógicos e sociais, participação da/na comunidade, sustentabilidade, expansão da oferta social, etc.), endividamento da paróquia, valorização dos espaços e da espiritualidade da nova igreja, recuperações diversas na igreja matriz, etc.

Depois ainda me entretenho um pouco a pensar: na relação com a equipa de sacerdotes da vigararia, na minha condição como capelão militar, no espaço e lugar que ocupam os velhos amigos ou os familiares, e na legitimidade ou não dos hobbies pessoais!

Terminando:

Por muitos que sejamos, nunca seremos demais. Ou melhor: sintamos que seremos sempre insuficientes, para nunca perdermos o apelo evangélico ao convite. Como aquele que nos chegou.

Também reforço que os trabalhos são as nossas desculpas que Deus “entrar” em cada uma e cada um. Os trabalhos em si não são a essência. O essencial é invisível aos olhos e só se pode ver com o coração – dizia Saint-Exupéry. E o nosso coração há-de ser como o do Pai, que Jesus revelou, e que o Espírito anima e irriga.

Em jeito de graça: quando dois ou três se reúnem em nome de Jesus, Ele promete estar no meio. Por quê? Não só porque estará em boa companhia! Mas também para que a sua companhia goste de se reunir assim, superando qualquer dificuldade ou frustração que o encontro possa suscitar.

Desejo muito de nós, paróquia. Desejo que cada um de nós se realize ou se enriqueça na comunidade. Que cada um de nós se sinta dom e apelo em favor dos irmãos.

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