UMA PÁSCOA COM FOLAR

No ano de 1980, a catequese  dos Pousos teve um casal de catequistas namorados: A Ana e o Raúl, que no ano seguinte contraíram matrimónio. Deste casal nasceu um filho. Após o nascimento, os pais passaram a estar preocupados com o seu batismo. Quem devia ser o padrinho? A mãe dizia que devia ser uma pessoa de religião católica, que pudesse dar ao afilhado testemunhos de vida cristã. O pai, embora concordando com  a esposa, sugeria que também deveria ser pessoa com algumas possibilidades económicas para, no caso da falta dos pais, poder educar e fazer crescer aquele seu filho querido. O Raul era empregado numa fábrica de confeção em franco crescimento económico. O Patrão, Felisberto, era um homem que reunia a maioria daquelas condições. Por tal motivo o Raul sugeriu à esposa, convidá-lo para padrinho do seu menino. E assim foi. O Felisberto aceitou o convite. Pouco depois houve o batismo aqui na paróquia e ao menino foi dado o nome de Feliciano. Soubemos há pouco tempo, que o Felisberto nunca dera folar ao afilhado, pela Páscoa, como era costume. O Feliciano, depois de fazer o Liceu em Leiria, foi  para Lisboa, onde se licenciou.  Ali residia e era catequista na paróquia da Graça.  A fábrica de confeção começa a sofrer da crise económica. O Felisberto já com alguma idade e doente é internado no Lar da N.S. da Encarnação. Na Páscoa de 2O16, o Feliciano veio a Leiria visitar os pais e, sabendo que o padrinho estava ali internado, lembrou-se de lhe fazer uma visita. E assim fez. Comprou um bolo “FOLAR” e foi ao lar. O padrinho estava na sala de visitas e assim que o viu reconheceu-o. O Feliciano dirigiu-se-lhe e abraçou-o. E ambos derramaram lágrimas de alegria. O Feliciano despediu-se e prometeu voltar no ano seguinte, 2017. O Felisberto ficou preocupado e sofreu imenso, pensando no que deveria oferecer-lhe, para compensar os muitos anos que não lhe deu folar. Entretanto, recordou-se duma lembrança, que o seu padrinho de batismo lhe havia oferecido,  quando fez 15 anos de idade e  nunca lhe deu uso. Depois desta recordação, o Felisberto sofreu muito de ansiedade,  pois os dias pareciam-lhe anos a passar, ate à Páscoa de  2017 e, nessa data, poder compensar o afilhado da falta que havia cometido ao longo de tantos anos. A páscoa 2017, finalmente, chegou e com ela, o Felismino e outro folar. O Felisberto estava munido da sua lembrança. Assim que viu o seu afilhado, levantou-se, já com dificuldade, e a coxear foi direito a ele, com a sua prenda na mão. Recebeu o bolo folar, e entregou-lhe a sua prenda: Um grande fio de ouro com um belíssimo crucifixo e disse-lhe: Não é para pagar os folares que não te dei durante tantos anos, mas sim, para te agradecer as visitas amorosas que me fizeste e que eu não merecia, obrigado pelo teu amor. O Feliciano não teve palavras para agradecer. Apenas disse, que todos os gestos de amor que o Homem faz é Deus que o ordena. Contou-me um amigo ali internado, que o Felisberto, depois deste encontro, parece outra pessoa: alegre,  sempre bem-disposto e participante nas celebrações que regularmente acontecem na instituição.

Para os leitores cá vai a frase:” A alegria da alma faz os belos dias da vida.” (autor desconhecido)

(Os nomes são fictícios) 

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